O cronograma nos informava que a tarde de sábado, 22, seria na presença de um time de peso. E foi. Palpitando sobre “o que o surfe deu a Floripa e o que Floripa devolveu ou surfe?”, estavam os lendários Avelino Bastos, CEO da Tropical Brasil, Xandi Fontes, gerente geral da WSL South America, Máurio Borges, jornalista que podemos escutar “Nas Ondas da Pan”, Flávio Boabaid, que dentre tantos eventos foi o organizador do icônico Hang Loose Pro 86, e o arquiteto Macos Jobim.

O papo foi mediado pelo jornalista Fabiano Morais, que introduziu o assunto apresentando alguns dados relevantes para o debate, como: a indústria do surfe movimenta 22 bilhões de dólares por ano, sendo que no Brasil essa fatia é de 4 bilhões; somos o quinto país que mais recebe turistas em 365 dias; e, para completar, o turismo é a principal fonte de receita de Floripa, que, todos sabemos, tem sal em seu DNA.

A cordialidade e a receptividade dos ‘manézinhos’ e da Ilha da Magia por si só, foi o primeiro tema abordado. O brilho e o encanto deste lugar fez com que muitos turistas se tornassem moradores de Florianópolis. Sempre de braços abertos, com todo seu respeito, hospitalidade e, até, ‘ingenuidade’, como citou Boabaid, os nativos souberam receber todo o tipo de gente que queria desfrutar deste pedacinho de paraíso. Para completar o visual alucinante da Ilha, que há anos tinha uma beleza ainda virgem, não podiam faltar as ondas perfeitas que quebravam na sua costa.

O problema é que acolher sem planejar não gera bons resultados. E a população cresceu, em um ritmo muito mais frenético do que a estrutura da cidade pôde suportar. Por isso, hoje encontramos muito problemas relacionados ao saneamento, mobilidade, segurança etc. Máurio brincou: “o que o surfe deu a Floripa? Haoles. E o que Floripa deu ao surfe? Nada”. Segundo Jobim, “Floripa deu as ondas e isso ninguém tira. Agora precisamos organizar a questão da infraestrutura”.

O crescimento desordenado da cidade levantou a questão da educação. Com certeza, se pararmos para pensar, isso não está ocorrendo só em Floripa. São várias cidades que sofrem pela falta de estrutura, pela falta de educação. Avelino retrucou afirmando que “precisamos pensar em nós, a cidade deve ser pensada para quem vive nela e não para o turista”. Se a assim fosse, as estruturas seriam feitas para durar mais, e não apenas por uma temporada. E a educação faz toda a diferença, afinal, precisamos aprender a cuidar e manter o nosso patrimônio. As novas gerações merecem este incentivo.

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Após muitas reflexões e aplausos para estes “dinossauros”, foi hora de curtir um pouco da exposição que recheava as paredes do O Sítio, bebendo uma Corona geladinha. Um break para conversar e explorar o abrangente universo do surfe, que em seguida seria contado pelo ponto de vista de Adrian Kojin, o palestrante do dia. Dentre tantas aventuras, que começou por uma trip de moto da Califórnia ao Brasil, explorando 25 mil km em sua Honda XL 600 R, Kojin começou sua carreira no jornalismo estampando uma matéria na Surfer. Já foi editor de redação da extinta Fluir, editor da The Surfer Journal Brasil durante toda sua existência, escreveu para diversas publicações e hoje é editor do Surfline Brasil.

Em pouco mais de uma hora, Kojin contou sobre cruzar a Panamericana há quase 30 anos, quando muitos países viviam em guerras e conflitos. Com sua moto, uma prancha, uma câmera e algumas roupas, o paulista, que tem adrenalina correndo por suas veias, passou 8 meses na estrada. A história dessa trip pode ser lida em seu livro, “Alma Panamericana”, da editora Gaia. E aguarde, pois em breve você poderá saber um pouco mais dessa história aqui na tela da Drop.

Não poderíamos ter tido uma tarde mais agradável, falando sobre temas essenciais para que a Ilha continue reluzindo sua magia, respirando arte por meio da vernissage e da exposição de pranchas, revendo amigos e criando novos contatos, conhecendo histórias instigantes. É bom saber que estamos no caminho certo.

Fotos: Divulgação/LSA
Texto para o Jornal Drop