A terça-feira amanheceu consolidando um novo mês, novembro, e com ele o primeiro dia do Hang Loose Pro Contest 2016. Antes dos primeiros raios de sol surgirem, em meio a penumbra, podíamos avistar alguns surfistas, como Michael Rodrigues, 18º do ranking no QS, garantindo o seu lugar no outside da Joaca, palco do evento. Aos poucos o astro rei foi perdendo a timidez e iluminando a passarela dos surfistas, que já remavam em peso, reconhecendo o terreno de competição.
O vento nordeste embalou séries que se tornavam pistas de decolagem e paredes prontas para serem rasgadas. Dando sequência às triagens, às 07h30 soou a buzina da última bateria, que iria levar um surfista direto para o evento principal. O destaque foi o catarinense Matheus Herdy, local do pico.
“Fiquei muito feliz de ter conseguido passar a bateria, eu estava nervoso na real (risos), mas foi legal, eu e meus amigos juntos, a gente surfa todo dia. Foi uma experiência boa entrar nesse campeonato, primeira vez que entro num campeonato internacional aqui na Joaquina, competindo em casa, tem a pressãozinha. Esse evento é muito bom, veio muita gente boa, muitos surfistas bons”, ressaltou o garoto, de apenas 15 anos.
Na primeira bateria do segundo Round, Herdy vai disputar seu espaço no line-up com o top do WCT Gabriel Medina, além de Slade Prestwich (ZAF) e Oney Anwar (IDN). “Não sei, talvez seja realmente a bateria da minha vida. Vai ser uma boa bateria, eu espero. Vou dar meu máximo, vai ser bem difícil, mas independente de tudo vou estar aí e vou fazer o meu melhor”, concluiu o representante de Santa Catarina.
Às 8h a buzina soou para o Round 1 do Hang Loose Pro, 30 anos após o primeiro evento lotar a Joaquina. Os primeiros a cair na água foram Marco Giorgi, representando o Uruguai, o americano Cory Arrambide, o sul africano Slade Prestwich e o brasileiro Magno Pacheco, que acabou ficando com a terceira colocação e finalizando sua participação no evento, pois só os dois primeiros passam de fase.
“Achei muito bom, assim, meio nostálgico competir na Joaquina. Com certeza é uma das praias favoritas de Florianópolis, é um evento que não deve sumir nunca. Todo mundo de Santa Catarina já competiu muito aqui, inclusive eu. Me sinto bem, confortável, tenho muitos amigos e saudades de competir aqui. ‘Tô’ amarradão, amarradão de estar de volta”, declarou Giorgi, que somou 13 pontos e avançou para o Round 2.
Apesar de se moldarem conforme o vento e a maré, as ondas não pararam de bombar neste primeiro dia de competições e 15 brasileiros seguiram para a segunda fase do evento, faltando ainda quatro baterias para finalizar o primeiro Round. O maior somatório do dia ficou por conta do japonês Hiroto Ohhara, que fez um 8.17 e um 6.40, totalizando 14.57.
Nesta edição temos a presença de onze nomes que contemplam a elite do surfe mundial, sete deles brasileiros. A etapa é a última antes da perna havaiana, e uma oportunidade única para quem está na briga por uma vaga no WCT. Ian Gouveia é o brazuca que está mais próximo de integrar o time, na 5º colocação do QS, e pode garantir a vaga aqui mesmo, na Joaquina, sua segunda casa.
“Desde que eu me mudei pra Florianópolis, meu pai sempre me falou desse campeonato, apesar de não ter competido em 1986, mas ele tem as fitas em casa, os vídeos, e a gente ficava assistindo. Então sempre ficou a expectativa de pegar um mar igual aquele. Não está igual, mas temos um metro de onda, terral, então está show”, acrescentou Ian, que vai cair na água pela 14º bateria do Round 2, e mesmo sem competir hoje, chegou cedinho na praia e mostrou que está com o surfe afiado. Hoje foi só o começo. Os gringos que se cuidem!
Foto: Mariana Piccoli
Texto para o Jornal Drop
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