Antes da buzina soar pela primeira vez no segundo dia de competições do Hang Loose Pro Contest 2016, as vagas na rua da Joaca já estavam todas ocupadas. Teve quem estacionou no Campeche e preferiu caminhar pela beira da praia ao invés de estacionar nas Rendeiras e iniciar uma jornada íngreme. O público contrariou a previsão de chuva e vento sul e lotou a praia da Joaquina. E não deu outra. Quem veio foi premiado com um sol de rachar e mandar embora a saudade do verão. O tempo estava mesmo em sintonia com o evento, pois com a renúncia do vento sul as ondas bombaram sem parar.
As primeiras baterias do dia eram ainda do Round 1, e entre os brasileiros quem se garantiu para a segunda fase foram Jean da Silva, Samuel Pupo e Gabriel Andre. O próximo encontro seria no Round 2. O público sabia, Gabriel Medina estava prestes a cair na água. Logo na primeira bateria, Medina foi ovacionado pela multidão, que guiou o ídolo do palanque ao mar. O catarinense Mateus Herdy, o indonésio Oney Anwar e o sul-africano Slade Prestwich completavam o time. A dobradinha foi brasileira, com Medina levando o público ao delírio em cada onda que dropava e Herdy provando que tem surfe para estar entre os melhores.
O evento rolou até a vigésima bateria, com 21 brazucas se classificando para a terceira fase do Hang Loose Pro Contest. Victor Bernardo caiu na bateria de Kanoa Igarashi, que passou em primeiro. O brasileiro ficou em segundo e agarrou a vaga. “Estou super feliz de ter avançado. Tive uma bateria muito difícil, não conseguia achar as ondas, caí bastante, mas graças a Deus passei. O evento está demais, nunca vi tanta gente na praia assim, a não ser num WCT. Quero avançar mais e mais para chegar na final e ter uma galera torcendo por mim, pontuar e subir no ranking”, declarou Victor.
Na décima bateria, o paulista Jesse Mendes também provou que estava em sintonia com as ondas. “O mar melhorou muito hoje. Já amanheceu com uma ondulação melhor, mais de leste, e a onda fica muito mais encaixada aqui quando está assim. Começou com vento, achei que ia entrar bem cedo mas parou, daí entrou um terralzinho e aí pô, deu altas ondas. Não tem o que pedir mais. Não está o clássico, mas está muito bom para uma competição, tem onda pra todo mundo, com bastante parede. A bateria foi boa, eu tinha um 7.5 e um 5.67 no final o Willcox tirou um 6.33 e ficou precisando de um 6.85 e aí só administrei a bateria e deu tudo certo, graças a Deus”, falou Jesse.
Também foi de um brazuca a maior nota e somatória do dia. Yago Dora se mostrou à vontade na bateria, mostrando toda a potência do seu surfe progressivo. “Foi uma bateria bem divertida, o mar estava legal, tinham esquerdas e direitas oferecendo potencial pra notas boas. Foi legal, desde o começo consegui pegar ondas boas, consegui imprimir um ritmo legal a bateria inteira, então me diverti bastante e consegui me sentir confortável ali pra soltar o surfe”, comentou Yago, que também compete no quintal de casa.




Falando em casa, Ian Gouveia, que precisa ir bem na competição para garantir uma vaga no WCT antes da perna havaiana, também avançou para a terceira fase. Nos segundos finais de sua bateria, Ian, que estava em terceiro, disputou a onda com Jorgann Couzinet, da Ilha Reunião, que provocou uma interferência e liberou o caminho para Ian seguir no evento, somando 11.17. Quem venceu a bateria foi Mitch Coleborn, totalizando 11.27.
Quem também está brigando pela vaga no CT e passou em primeiro na sua bateria foi Bino Lopes, somando 14.27. O defensor do título do evento, Deivid Silva, ficou em segundo na décima nona bateria do Round 2, vencida pelo Santiago Muniz. Deivid segue na briga e vai cair em uma bateria só de brazucas no Round 3, com Yago Dora, Michael Rodrigues e Thiago Guimarães.
A previsão de vento sul continua, e caso ela se confirme é provável que o terceiro dia do evento seja off. Caso o lay day se confirme, prepare-se para ver um crowd de responsa espalhado por Floripa.
Fotos: Mariana Piccoli
Texto para o Jornal Drop
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