O quinto dia do Hang Loose Pro Contest 2016 começou com uma bateria eletrizante. Ian Gouveia, Michael Rodrigues e Mitch Coleborn disputando a quinta bateria do Round 4. O pernambucano precisava avançar para buscar pontos preciosos no ranking e quem sabe garantir uma vaga no WCT ainda em casa. E não deu outra. Ian se encontrou na bateria, conectando boas ondas no inside e com 14.06 garantiu o primeiro lugar. Atrás vieram Coleborn, com 13.43 e em último o brasileiro Michael, que começou bem na bateria, mas não encontrou score suficiente para avançar.

“Hoje eu achei que as ondas iam estar menores, mas ainda bem que segurou um pouco o swell e temos muitas ondas divertidas ainda. Tive sorte de me conectar com o mar e achar as ondas que encaixaram bem no inside. Era uma bateria super importante pra mim porque era onde eu iria conseguir trocar bons pontos no ranking, então eu não estava nem pouco confortável mas estava bem focado e atento pra conseguir meu objetivo que era avançar e fazer pontos”, declarou Ian.

Em seguida, uma bateria de brazucas recheava o mar da Joaca, que além do público, contou com um céu azul e um sol que não parou de brilhar. O trio Miguel Pupo, Deivid Silva e Luel Felipe caiu na água pela segunda bateria do dia. Deivid Silva, que defende o título estava instigado e com um 8.40 e um 6.67 agarrou sua permanência no evento. Pupo também teve uma boa performance e avançou em segundo, somando 13.74.

“A expectativa é boa, estou bastante focado, lembrando bastante do ano passado que eu venci esse QS. Estou feliz, bem focado, com a minha família toda aí e isso me dá mais força, minha noiva também. Ela estava comigo no ano passado e me deu bastante sorte. Vamos com tudo, estando aqui de novo, consegui passar mais essa bateria, pontos muito importantes para o ranking. Quero voltar entre os 10 novamente, posição que eu estava antes da Europa. As ondas estão bem divertidas, ontem estava um pouquinho maior, final de tarde mesmo tinham altas ondas, e hoje amanheceu com altas ondas também, um pouquinho menor, mas perfeito. Para mim está ótimo, a gente está preparado pra tudo”, confessou Deivid.

Na sétima bateria do Round 4, Jadson André correu atrás e junto com o português Frederico Morais se garantiu na quinta fase do evento. O português tem tido bons resultados na competição e segundo ele “essa etapa do WQS, na praia da Joaquina tem sido um campeonato bem divertido, as ondas estão boas, praia cheia. Quero continuar indo bem, estou na próxima fase. O mar tem estado bem divertido, estive aqui há dois anos, o mar estava bem mais difícil, bem pior. Neste ano, todos os dias tiveram ondas boas, estava bem divertido”.

O destaque da última bateria do Round 4 mais uma vez foi ele, Adriano de Souza. Mineirinho, em casa, inspirado pelos gritos da torcida e presença da família ao lado do palanque não poderia demonstrar menos que um show de surfe. Somando 16.60, nosso campeão mundial fez a dona Luzimar, sua mãe, agradecer ao som final da buzina. “É maravilhoso poder estar aqui, assistindo ele. Estou pedindo a Deus para ele conseguir”, declarou Luzimar, orgulhosa do filho.

A bateria seguinte foi emocionante do início ao fim. Gabriel Medina enfrentou o australiano Soli Bailey. Medina tinha o apoio total da torcida e começou arrancando um 8.83 dos juízes. Como resposta, Bailey, que já tinha um 7.50, encontrou a onda da bateria e somou um 9.17, obrigando Medina a fazer um 7.85 para virar. Pouco antes da buzina soar, indicando o fim da bateria, nosso campeão mundial de 2014 avistou uma onda no outside mas não conseguiu a pontuação necessária, e já na areia, envolto por uma imensidão de fãs, Gab foi eliminado.

O Round 5 foi mesmo a zebra do evento. Outros dois brasileiros que eram tidos como favoritos, Ian Gouveia e Mineirinho, também foram eliminados nesta fase, desta vez, por outros dois brazucas, Miguel Pupo e Jadson André. Na primeira bateria, dois papais brigaram pela vaga. Ian Gouveia começou fazendo a melhor nota, 7.27, mas Pupo conseguiu somar um 8.00 ao seu 6.83 e garantiu a vitória sobre o pernambucano. Já o Jadson não deu muita chance para o Mineirinho, que mesmo somando 16.40 ficou precisando de 9.52 pra virar. Jadson foi protagonista da melhor onda do campeonato, um 9.67, e pra garantir a vitória ainda tinha um 8.17 a seu favor.

“O Adriano é o atual campeão mundial e praticamente já é um local aqui da praia do Joaquina, ele mora aqui, é casado com uma mulher catarinense. Mas tô amarradão de ter passado, eu sei que agora nas próximas baterias a torcida vai estar a meu favor”, falou Jadson.

Deivid Silva e Tomas Hermes também representaram e avançaram para as quartas de final. Deivid deixou o australiano Mitch Coleborn precisando de 7.00 pontos, e conseguiu administrar a vitória até o fim da bateria. Já Tomas Hermes tirou Willian Cardoso da competição, vencendo com 14.83 contra 13.97 de Willian.

Quatro brasileiros estavam nas quartas de final e apenas dois avançaram para as semifinais, que serão disputadas amanhã, 06 de novembro, a partir das 9 horas da manhã. Deivid Silva vai enfrentar Jadson André na segunda bateria da semifinal. “Estou muito feliz de estar nessa semifinal, treinei muito em casa, pô, ter vencido Miguel, que está no CT. Vou dar meu máximo na semifinal, agora vou surfar à vontade. Vou ir com tudo”, comentou Deivid.

“É sempre bom quando você começa a evoluir durante os eventos. Eu comecei esse campeonato doente, peguei uma gripe absurda nos primeiros dias, muita dor no corpo, dor de cabeça. Não sei como eu consegui avançar a primeira bateria, passei a bateria praticamente por causa de um layback. Mas fui melhorando durante o evento. Acabei fazendo a melhor nota do campeonato. Então, sem dúvidas a confiança aumenta. Vou tentar usar essa última bateria não como uma pressão pro lado negativo mas sim pro lado positivo. Ter tirado, talvez, o melhor atleta do evento, ter tido notas altas, vou tentar continuar nesse ritmo, quem sabe eu saia daqui com um excelente resultado”, confessou Jadson.

A primeira bateria será disputada por dois americanos, Kanoa Igarashi e Griffin Colapinto, e de uma coisa já temos certeza, teremos um brazuca na final, embalado pela energia do público. Outra coisa que podemos garantir, é que dessa vez não será um australiano que levará o título do evento, situação que tivemos em todas as edições do Hang Loose Pro Contest que rolaram na Joaca. Já sabe onde passar o domingo, não é?

Foto: Mariana Piccoli