A buzina do Hang Loose Pro Contest 2016 voltou a soar nesta sexta-feira, 04 de novembro. Após um layday embalado pelo vento sul, as ondas encaixaram novamente na praia da Joaquina, palco do evento que está comemorando 30 anos de história. O público compareceu em peso para prestigiar os surfistas, e o sol não deixou de dar as caras por aqui.

As primeiras baterias do dia foram do Round 2, onde dois brasileiros conseguiram avançar para a terceira fase. Jean da Silva foi o primeiro, e somando 10.60 garantiu a vitória. Na bateria de número 24, Adriano de Souza fazia sua estreia no evento. A oportunidade de competir em casa não poderia passar em branco e Mineirinho mostrou que estava realmente inspirado. O brazuca, campeão mundial de 2015, somou 12.73 e agarrou a primeira colocação da bateria.

“As ondas estão boas, não está tão ruim quanto ontem (lay day), ontem realmente o vento apertou e dificultou as condições, só que graças a Deus hoje o mar melhorou. É o maior prazer do mundo competir na minha própria casa, meu cômodo né, ter toda a infraestrutura de casa, dos meus familiares e vestir a lycra de competição. Esse campeonato é extremamente importante porque estão a nova geração brasileira, a maioria dos atletas internacionais e nacionais também, então, competir contra eles e compartilhar esse momento para mim é um momento único”, comentou Mineiro, amarradão.

Na bateria seguinte, primeira do Round 3, mais um campeão mundial cairia na água. Gabriel Medina dividiu o outside com Wiggolly Dantas, Thiago Camarão e Soli Bailey. Nesta fase os dois primeiros passam para o quarto Round, enquanto os outros dois são eliminados. Quem levou a melhor foi Medina, que se encontrou na bateria e somou 16.27. Guigui e Camarão não conseguiram um score suficiente para bater o australiano Bailey, que seguiu em frente totalizando 14.50.

“Estar aqui no Brasil é sempre bom, a comida nem se fala, a gente fala a mesma língua, está perto da nossa família e os fãs então, são super carinhosos e a gente se sente mais em casa. Acho que é até melhor para competir né, a gente acaba indo bem”, comentou Medina, sobre estar de volta em casa.

Mais onze brazucas avançaram para o Round 4, entre eles Ian Gouveia, que pode se garantir no WCT de 2017 ainda neste campeonato. O pernambucano que morou metade de sua vida aqui em Floripa passou sua bateria em primeiro, somando 15.10. Atrás veio Miguel Pupo, com 14.77. Os dois mandaram Alex Ribeiro, 11.16, e Bino Lopes, 5.07, pra fora da competição, em uma bateria onde todos brigavam por pontos preciosos no ranking.

“Tem altas ondas, Joaquina, sol, água azul, água quente. Depois do sufoco da primeira bateria com certeza nessa eu estava mais tranquilo, pelo fato de ter praticamente perdido o segundo round, então, não tinha pressão nenhuma dessa vez. Mas, mesmo com o primeiro score, que foi alto, eu não pude ficar confortável em nenhum momento, porque era contra o Bino, o Miguel e o Alex, e o Miguel e o Alex tinham notas boas, então a qualquer momento eu podia sofrer a virada. Tive que ficar atento a bateria inteira e estou feliz por avançar mais uma. Por incrível que pareça tudo está conspirando para o meu lado, está tudo dando certo e espero que continue assim até o final do ano”, declarou Ian, que ainda brincou sobre o fato de ser papai: “tudo está acontecendo depois que eu me tornei pai, e está todo mundo brincando que esse é o segredo, todo mundo ‘tá’ querendo fazer filho agora (risos) pra ver se passa a bateria e ganha campeonato”.

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Mas nessa fase da competição alguns brasileiros também penduraram a lycra mais cedo. Mateus Herdy, que venceu as triagens e vinha bem no evento não conseguiu encontrar as ondas necessárias e com 7.80 se despediu do Hang Loose Pro Contest 2016. Victor Bernardo, Alejo Muniz, Jessé Mendes, Thiago Guimarães, Jean da Silva e Yago Dora, que tinha sido o destaque do segundo dia, com a melhor pontuação, foram as baixas do Round 3.

Estavam confirmadas ainda para hoje as quatro primeiras baterias do Round 4. Novamente estreando na disputa estava Gabriel Medina, que enfrentou o uruguaio Marco Giorgi e o brazuca Hizunome Bettero. Nesta fase os dois primeiros seguem para o Round 5 e um dá adeus às disputas. O brasileiro Hizu, que vinha bem no evento, não encontrou as ondas necessárias para a virada, liberando o caminho para Marco e Medina.

“É, foi uma bateria difícil, contra o Hizu e o Marco Giorgi, que são dois caras que estavam surfando bem no campeonato. O mar mudou bastante desde de manhã, o vento mudou, a maré também. Foi uma bateria difícil, mas graças a Deus consegui passar. Como já falei, esse campeonato é muito importante, é cheio de história, os principais surfistas brasileiros passaram por aqui, então fico feliz de fazer parte disso”, declarou Medina, após disputar sua segunda bateria do dia e garantir sua vaga na quinta fase.

Na disputa seguinte, Luan Wood não se encontrou na bateria. Apesar da somatória baixa, o catarinense teve a oportunidade de competir em casa, com o apoio de toda torcida e com certeza ficou com um gostinho de quero mais, que vai instigar o garoto para os futuros campeonatos. “Muito feliz de poder ter competindo aqui em Floripa, com a torcida ao meu favor, me dá uma energia positiva muito boa, espero que eles continuem assim, com essa vibração positiva”, falou nosso garoto.

William Cardoso e Tomas Hermes, assim como Medina, completaram o time de brasileiros que já estão garantidos na quinta fase. Amanhã, os primeiros a cair na água serão Ian Gouveia, Michael Rodrigues e Mitch Coleborn. Luel Felipe, Miguel Pupo e Deivid Silva, que defende o título, formam a sexta bateria, enquanto Jadson e Mineirinho seguem respectivamente na 7º e 8º.

A cada bateria as disputas ficam ainda mais intensas. Amanhã o dia promete, podendo rolar a decisão, e a torcida para os brazucas vai fazer juz ao time. Nos vemos lá!

Fotos: Mariana Piccoli
Texto para o Jornal Drop