O momento mais esperado chegou. Após cinco dias de competições o Hang Loose Pro Contest 2016 enfim conheceu seu campeão. Em um domingo de clima agradável e ondas um pouco menores que no início do evento, a buzina soou para as seminais às 9h30 da manhã e os americanos foram os primeiros a cair na água.

Kanoa Igarashi, que vai se mantendo no WCT pelo ranking do QS, enfrentou o conterrâneo Griffin Colapinto. A bateria começou parelha, mas foi Kanoa quem encontrou a melhor onda durante os 30 minutos. Com um 6.67 e um 8.17, o nipo-americano seguiu no mesmo ritmo que vinha durante o campeonato e tirou Colapinto, que somou 11.50, da competição.

A bateria seguinte foi entre dois brazucas. Deivid Silva defendia o título do evento, vencido no ano passado na praia do Santinho, também em Floripa. Jadson André chegou às semifinais após realizar a melhor performance do evento, um 17.84, contra 16.40 de Mineirinho, um duelo acirrado, bonito de ver. E hoje, Jadson seguia com todo o gás, encontrando boas passarelas no inside. Somando 12.83, Jadson deixou Deivid precisando de um 7.16 e agarrou sua vaga na final.

“O mar baixou bastante hoje, sorte que o inside está muito perfeito, então as condições continuam bem surfáveis. Estou amarradão de ter passado pra final. Comecei o evento quietinho, doente, estou fazendo a final, então, missão grande vencer o Kanoa (Igarashi), que está bem encaixado e sem dúvidas nessas condições ele é o favorito. Vou fazer de tudo pra dar o título pro Brasil. São dois atletas do CT, o Kanoa é um moleque que compete muito bem, e a gente está ali disputando o ranking do WCT. Praticamente a última vaga pelo WCT ele está disputando comigo então, enfim, a gente vai fazer uma final legal aí, espero ganhar e Pipeline vai ser outra história”, comentou o potiguar.

Deivid Silva deixou o evento sem o bicampeonato, mas muito instigado para a perna havaiana, onde acontecem as duas próximas etapas do QS e a grande etapa de Pipeline, última do WCT. “Com certeza queria estar nessa final, é a nossa meta, mas estou feliz por ter feito essa terceira colocação, é muito importante, me fez subir três posições no ranking. Isso me motiva bastante para poder voltar entre os 10 novamente no Hawaii. Vou ir com tudo pra lá”, declarou Deivid Silva, que já embarca na próxima quarta-feira, dia 9, para o Hawaii. “Vou treinar e dar o meu máximo para tentar entrar no WCT ano que vem”, finalizou o paulista.

Meia hora de descanso, concentração e de volta para a água. Dessa vez, 30 anos após o primeiro Hang Loose Pro, um americano e um brasileiro dividiam o espaço no line-up. As ondas não estavam bombando como em 86, ou no início do evento desse ano, por isso era importante rasgar tudo, espremendo as manobras em cada centímetro da onda. Kanoa encontrou as melhores e arrancou logo de cara um 7.67 dos juízes. A primeira nota expressiva de Jadson foi um 6.50, mas Kanoa encontrou a melhor onda da bateria e levantou muita água em seu 8.17. Nos últimos 30 segundos Jadson ainda tentou, o público ajudou, mas o 6.87 não foi suficiente para a virada.

“Eu sei que a turma estava toda na torcida, eu era o único brasileira na final, e como competidor e como torcedor eu queria muito que esse título tivesse ficado no Brasil. O Kanoa está de parabéns, o moleque surfa muito. Gostaria de agradecer a todo mundo aí na praia que torceu bastante. Eu sei que na minha última onda eu não iria virar mas pelo torcida da galera quando eu finalizei ali a onda teria sido um 10. Está sendo um ano bem difícil pra mim, um ano de superação, eu estou desde de Bells Beach com o tornozelo machucado e logo na sequência machuquei meu joelho e não pude parar porque não tem mais vaga de convidado no CT, então eu estou há oito meses competindo com duas lesões, logo na minha perna de trás. Está sendo um ano difícil, mas como brasileiro eu estou aí batalhando, buscando minha vaga no WCT e não vão ser essas lesões que vão me parar, não. A gente vai pra Pipeline baixar a cabeça e botar pra dentro”, falou Jadson, instigado para a temporada no Hawaii.

Com a vitória, Kanoa Igarashi agora é o primeiro no ranking do QS. O nipo-americano foi muito bem recebido pelo público, que lotou a praia da Joaquina em quase todos os dias do evento. “O Brasil é um lugar realmente especial pra mim. O público é incrível, a comida é especial, esse lugar é especial. Estou muito feliz, o Jadson é um competidor muito difícil e tenho muito respeito por ele. Estou sem palavras. Issaaaa!”, agradeceu carinhosamente em português o nipo-americano.

Depois de dias intensos, foi bonito ver a praia lotada como em 86. Mesmo sendo uma etapa do QS, e não do CT, como na primeira edição, a galera compareceu em peso para prestigiar os ídolos, muitos deles brasileiros. Fique de olho em nossas redes, pois em breve vamos resgatar um pouco mais dessa história.

Parabéns aos surfistas que transformaram a praia em uma arena e protagonizaram um verdadeiro show ao público!