Você toparia ter uma profissão sem direito a férias e a qual você jamais poderia pedir demissão? Acredite, há muito surfista por aí investindo nesta carreira. Mas apesar de suar a camisa, esta jornada oferece a melhor remuneração do mundo: o amor incondicional dos seus filhos.

Neste mês de Agosto resolvemos homenagear os papais da Mormaii. Na barca estão Carlos Burle, Everaldo Pato, Sylvio Mancusi, Ian Gouveia e o vovô Fabinho Gouveia.

Como você pode imaginar – ou talvez não – vida de surfista não é tão fácil quanto parece. Pois contrastando com o lado bom de conhecer o mundo, pegar ondas perfeitas e beber muita água de coco, também tem o lado difícil. Passar temporadas longe da família e consequentemente dos filhos.

Pensando nisso, resolvemos bater um papo com os nossos papais surfistas para saber como é o dia a dia deles e o que mudou com a chegada dos novos integrantes da família. Quais são os seus planos para o futuro, além é claro, de pescar algumas dicas.

E quem nos recepciona neste bate papo é Sylvio Mancusi, protagonista do programa Mar Doce Lar, do Canal OFF, que antes da chegada do Ben já experimentava explorar os sete mares na companhia de sua esposa, Bia.

Ficou curioso? Role a página e descubra como pode ser a rotina de quem vive na estrada com sua família em busca das melhores ondas do mundo.

Você é um amante do oceano e também das ondas gigantes. Ter se tornado pai influenciou de alguma forma a sua rotina de big rider?

Graças a Deus mudou a minha vida para melhor, em todos os sentidos. Agora eu quero pegar as melhores em homenagem ao meu filho (risos).

Você tem viajado o mundo com a Bia e o Ben em busca de aventuras. Como é esta experiência de compartilhar todos os momentos, de perrengues a descobertas, com seu filho?

Às vezes eu me pego pensando sobre isso. A resposta vai vir com o tempo. Mas eu já noto que ele interage com as pessoas e lugares de uma forma diferenciada, sem apego, livre, amante de tudo e todos, acho que é reflexo do lifestyle e da educação. Eu me sinto muito, muito privilegiado, um presente de Deus sem tamanho, desde o talento de deslizar pelos mares, por meu pai ter investido nos meus sonhos, até aos patrocinadores e parceiros pelo mundo; é uma mistura de pessoas e sonhos que deu certo.

Ter a oportunidade de mostrar o mundo para um filho é algo especial. O que você acha de criar o Ben dessa forma única, emendando uma viagem na outra? 

É um lifestyle bem atípico, consequentemente ele também será uma criança diferente, com a cabeça aberta; a influência de diferentes culturas, religiões, faz seu papel na cabeça da família. Viajar parece fácil, mas não é tanto, tem o lado da família, saudades, raízes, aeroportos, fusos, tudo na vida tem seu preço e acho que Deus nos usa de diversas formas. Então eu rezo para seguir nesse caminho, realizando um sonho de cada vez, influenciando as pessoas a conquistarem os seus.

Quais são as oportunidades que você acredita estar dando ao Ben ao levar ele junto para as suas aventuras?

Fisicamente ele já fala português e inglês e tem amigos em todos os cantos do mundo. Espiritualmente, por uma vibração branda vinda de um dia a dia regado a novas emoções a cada trip, com certeza isso vai ajudá-lo quando ficar mais velho. Viagens, principalmente quando envolvem busca por ondas grandes, nos trazem muito amadurecimento.

Ser pai pode ser comparado com alguma sensação que já passou na vida?

Ser pai é a melhor coisa da vida. Com certeza agora olho para as (ondas) grandes com outros olhos; mais seguros e na busca certa. Quando pego a melhor onda já mostro para ele e a satisfação é ainda maior.

Dentre todas as aventuras que você vivenciou com o Ben nestes três anos, qual foi a cena mais marcante?

Com certeza a evolução a cada nova sessão de surf juntos. A vibração é ímpar, mas a última emoção foi notar que as aulas de natação surtiram efeito e ele já consegue nadar sozinho, foi inesquecível. Sempre que ele interage com os novos e antigos amigos falando em inglês, também é muito bacana.

*Freela para a Mormaii