A noite do último sábado, 05 de novembro, foi épica. Quem chegou cedinho foi embalado por uma sonzeira da Surf Sessions, banda de Brasília, que deixou o público muito à vontade ao som de caras como Sublime e Pink Floyd. Uma galera de responsa lotou a The Search House, na Barra da Lagoa, com o objetivo de assistir à première de “Um Filme de Surfe”, do filmmaker Bruno Zanin, que tem Lucas Silveira, Yago Dora e Yuri Gonçalves como protagonistas.
A trupe, também com a presença do tutor e responsável pelo time da AprimoreSurf, Leandro Dora, o Grilo, e o fotógrafo Henrique Pinguim, embarcou para um destino nada tradicional das Mentawaii. Um secret. E como toda trip tem alguns perrengues, essa não poderia ser diferente. “A ideia do filme surgiu lá. Quando a gente soube que ia para uma ilha deserta e tal. Pô, imagina um lugar que nunca foi filmado, umas ondas secretas. A gente pensou em fazer um negócio mais conceitual assim, tipo terra do nunca, um negócio mais bonitinho e tal, com uma poesia sobre um lugar que nunca foi tocado antes. Só que quando a gente chegou lá os barcos afundaram, deu terremoto, deu maré cheia, maral, tempestade, dormindo em barraca, 40 graus, fazendo cocô no mato, tomando banho de canequinha”, relatou Zanin.

Grilo sabia que o projeto era ousado, mas como todos ali já conheciam o lado tradicional das Mentawaii, não perderam a oportunidade de ir para um lugar diferente, para um pico secreto. “A gente sabia que ia enfrentar alguns desafios, mas a previsão era excelente porque eram altas ondas e pouco vento. No fim a coisa não foi como o esperado, né, a gente pegou tempestade, maré gigante, terremoto, uma série de coisas”, declarou Grilo.
Nas palavras de Yuri “foi muito louco”. “Estávamos no Japão e a trip já estava planejada. Mas aí, uma noite quando estávamos quase indo, uma noite antes, deu terremoto e deu uma king tide que dá em Bali. Enfim, juntou tudo e aconteceram coisas muito loucas. As ondas ficaram maiores do que nós esperávamos, a maré avançou tanto dentro do nosso acampamento que nos primeiros dias levou barraca, na hora de ancorar no lugar foi uma loucura gigante, perdemos comida, os peixes congelados voltaram a boiar”, contou Yuri. “A gente ficou sete dias e durante cinco a gente sobreviveu. A gente terminava de secar a barraca, entrava uma tempestade bizarra e a gente tinha que ir pra dentro da barraca pra ela não voar”, completou Zanin.
Depois de cinco dias sem onda, no meio do nada, a galera já estava enlouquecendo. “Não pegávamos ondas. Estava tudo tipo maral, maral, daí num dia sem esperanças nós acordamos e tudo parado, o vento um terralzinho bem fraco e altas ondas. Um dia e meio de muita onda, chegou a cair o braço de tanta onda que nós pegamos. Foi muito irado”, relembrou Yuri. Para o Grilo, o final da trip foi abençoado com dias perfeitos de surfe e “aí fechou, foi nota 10”, concluiu.

Pelo trailer já notamos que a pegada é um pouco cômica, afinal, como citou Yuri, “se fosse só altas ondas ia ser só mais uma história de uma trip normal, só que daí rolou isso tudo e virou um filme que não tinha como não virar. Foi natural, não nos esforçamos pra fazer, aconteceu sozinho”. “Acabou que isso se tornou algo diferente e falamos, ‘ah vamos aproveitar isso e vamos brincar, fazer uma história’, porque a única maneira de ficarmos lá, mantendo o astral, seria com brincadeira”, acrescentou Grilo.
Rolou curso de samurai, curso pra virar ninja, a galera tirou onda. Segundo Zanin “não tinha o que fazer, estávamos no meio do nada, não tinha como sair. A melhor coisa que a gente tinha pra fazer era rir, pô. A vida é boa a gente estava vivo, tinha saúde. Acabou no que deu, o filme virou meio que uma comédia com um pouco de surfe”.
Sobre esse lado mais comedy, Zanin declarou: “eu, Bruno, sou um cara que gosta muito de fazer piada, gosto muito de rir, e a minha pegada de vídeo é sempre uma pegada mais rock, mais pra frente. Muita gente falava, ‘pô, tu devia puxar um pouco mais pra esse lado’, e quando aconteceu aquilo tudo foi inevitável não ir pro outro lado. Eu ria editando. Olhava, voltava pra rever os cortes e pensava ‘caralho, isso ‘tá’ muito engraçado’, e colocava coisas que eu daria risada vendo”.
E a galera entrou no clima, tanto das piadas quanto das sonzeiras. O público ficou vidrado do início ao fim. Um mar de gente vibrando nas batidas das músicas acomodadas no filme. “Nunca vi disso, tinha muita gente, pelo filme, pela parada. Quando eu olhei ali de cima fiquei meio arrepiado, muito nervoso, não sabia nem o que falar, mas bateu um sentimento de orgulho e de amor. Amor por continuar, fazer isso que a gente faz, porque sei lá, às vezes a gente não tem tanto incentivo e vê isso aí, vê que todo mundo gosta. Não é nem um pouco fácil, as marcas não apoiam. Tenho muito sorte de ter a Volcom, de ter a RVCA, essas marcas aí que ajudaram”.

Teve um anjo da guarda que também estava presente de alma. “A gente quer juntar nossa família, a família Ricardo dos Santos, é a galera que se uniu por causa dele. Ele que cuidou disso tudo, ele que uniu toda essa galera. Nenhum dia a gente deixou de pensar nele, nenhum dia a gente deixou de falar dele, tipo ‘como o Ricardo ia estar aqui agora, nesse lugar?’. Então eu acho que ele é o principal motivo disso aí tudo”, falou Zanin.
E, ó, novidade, a saga vai continuar sim. “Esse é o primeiro de muitos. Acho que na próxima a gente quer ir pra neve, com a mesma pegada, o mesmo grupo, alguns outros aí do time, porque nesse alguns não puderam ir”, revelou Zanin, concluindo ainda que “não fizemos o filme com o propósito de virar um filme internacional. A gente fez com o propósito de daqui 10 anos sentar e olhar, ‘caralho, o que a gente fez por causa do surfe, velho’. A gente foi pra uma barraca, comeu nuggets com macarrão e ovo, tomou água de coco quente. Foi uma forma que a gente encontrou de congelar no tempo uma viagem muito louca que a gente teve”.
Se você chegou até aqui sem dar o play, por favor, está convidado. Caso já tenha dado, aperte de novo, sem problemas. Enquanto o filme não é liberado na íntegra, resta imaginar o que está por vir!
Imagens: Mariana Piccoli
Texto para o Jornal Drop
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